domingo, 25 de janeiro de 2009


Tudo gira à minha volta... Já não sei de que lado estou, já não sei para onde vou, já não sei para onde hei-de ir. Já não tenho certezas. O meu mundo virou, já não conheço ninguém como costumava... Já não me conheço a mim.

Nada é igual. Já não há branco nem preto, já não há lados separados, já não há linhas direitas pelas quais eu me possa orientar. E assim, desnorteada, desorientada, já não sei qual é o Norte, se é que ele existe, se é que alguma vez existiu. Já não sei onde parar para descansar, porque já não o posso fazer.

Caminho, mas não presto atenção ao caminho. Já estou perdida, de nada vale. Tropeço em todas as pedras. Já estou caída, já não importa. Mas ainda assim tenho de estar atenta... No meio da minha busca pelo nada, encontro ainda muitos obstáculos. Bonecos perdidos mas que pensam conhecer o caminho de volta, besouros irritantes que enchem os meus ouvidos com o seu bzzz constante, pensando que serve de alguma coisa, pedras afiadas que desgastam as solas dos meus sapatos até já sentir toda a estrada. Sangue como eu que me atira às poças e se ri com isso.

Mal eles sabem que eu já escolhi. Já fiz a minha escolha, e terei de a seguir até ao fim. Mesmo que me leve por caminhos desconhecidos, mesmo que não seja a melhor. Aceitarei as consequências, e superarei os obstáculos. Mas quando tiver chegado ao destino, não haverá mais bonecos, não haverá mais mosquitos, não haverá mais sangue. A todos ignorarei, pois já não me poderão magoar. E aí, sim, cumprirei o meu objectivo: sozinha ou não, serei feliz.

terça-feira, 10 de junho de 2008

O espelho. O nevoeiro.



Vejo os contornos do meu reflexo na superfície enevoada do espelho. À minha volta estende-se um nevoeiro de emoções insensíveis que em nada afectam o meu estado de espírito. Olho para a tela pronta a ser usada, pronta a ser palco do que me vier à alma no momento, pronta a ser riscada pelos traços do meu ser. Nela, imagino uma imensa paisagem , montanhas e rios, vilas e aldeias,... Vejo uma imensidão de árvores verdes, vejo uma infinidade de possibilidades. E por detrás de tudo isso, ao mesmo tempo, vejo-me a mim, o meu reflexo enevoado, aquela que todos conhecem, mas que nenhum sabe interpretar.
Então, numa fúria crescente, começo o desenho, a frase, o comentário ou apenas a meia dúzia de riscos que destroem a minha silhueta, revelando ao mesmo tempo um pouco mais de mim.
Mas no fim arrependo-me. Para que mostro o meu reflexo, se nem a minha sombra querem ver? Então apago tudo. Passo as mãos pelo espelho, e apenas me tenho a mim, o meu reflexo, olhando para mim e perguntando porque desfiz os sonhos, se será realmente apenas porque eram inatingíveis, ou se algo mais...



Agradecimentos especiais ao meu amigo PONTO por me ter sugerido o tema zD