quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O castelo, a muralha.

Lutas... defendes, atacas,
tentas chegar a mim com todo o teu ser,
toda a tua essência, todo o teu poder,
todo o teu charme e figurão.
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Mas o meu castelo está rodeado de silvas,
demasiado dentro da floresta desbravada
que só de fora parece acolhedora.
Só tu sabes o caminho,
Embora não o tenhas ainda percebido.
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As silvas picam-te as mãos,
as pedras rasgam-te os sapatos,
as folhas dificultam-te a visão,
e já não mais consegues imaginar os encantos
que outrora te estimulavam a ambição.
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Já não tens alento para continuar,
culpa da densa floresta circundante.
Mal sabes tu que já chegaste.
Não porque encontraste o castelo,
mas porque o castelo te encontrou a ti.
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Sentes ainda tuas mãos picando,
teus olhos ardendo do esforço de ver,
teus pés protestando as arestas bicudas,
tua boca seca de a ninguém tanto dizer.
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Não percebeste ainda a seda nas tuas costas,
o veludo vermelho te cobrindo.
o jarro de água a teu lado,
a mulher de louro te cobrindo.
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Chegaste ao fim, podes descansar.
Descobriste o caminho, penetraste a muralha...
E no entanto não queres entrar.
Mas tu já entraste. Só não sabes disso.

sábado, 9 de maio de 2009

PÔR DO SOL

É quando menos se espera que as coisas acontecem.
É quando se pensa viver no Paraíso que o mundo vira.
É quando tudo é certo que perdemos todas as certezas
É quando perdemos as certezas que sentimos medo.
É quando sentimos medo que damos valor ao que temos.
Mas por vezes só sentimos medo tarde de mais.
Por vezes damos tudo por tão garantido
Que não notamos quando o mundo dá a volta,
Que não percebemos que alguém se vai embora.

E agora já é tarde de mais.
No profundo infinito do esquecimento
As palavras já rolam sem sentido.
Porque não soube eu proferi-las mais cedo?
Porque não as consigo dizer agora?
Porque te vejo afastar cada vez mais
Sem te conseguir nunca alcançar?

Porquê que, cá dentro, ainda espero por ti?
E é no fim do dia,
Enquanto vejo o pôr-do-sol,
Que me arrepio
E tomo consciência
Que eu sou a única culpada
De finalmente se ter extinguido a luz do meu farol....